Aerossóis atmosféricos

O estudo dos aerossóis atmosféricos é fundamental para o estudo da química da atmosfera da Antártica. Os aerossóis encontrados na Antártica tem diversas origens (da crosta terrestre, antrópicos, de origem marinha, de origem cósmica, do vulcanismo global e da biosfera). Durante a campanha de 2014/2015, três novos amostradores foram instados no Criosfera 1. Os três sistemas visam a caracterização granulométrica do material particulado que aporta na região do Criosfera 1. Eles são constituídos de um impactador em cascatas da PIXE com 9 estágios, um impactador tipo “May Impactor” e um impactador tipo “Bertelli”. Os impactadores operaram no mês de Dezembro de 2014. Os integradores PIXE e May amostraram durante 4 meses no Criosfera 1.

Sistemas de amostragem de aerossóis instalados no Criosfera 1 em 2014/2015: impactador PIXE/8 estágios (a/d); impactador Bertelli (b) e impactador “May” (c).

As amostras coletadas foram analisadas no Sincroton do Department of Chemistry of the University of California, Berkeley, California-USA. A técnica utilizada foi “STXM/NEX multicomponent mapping” que permite investigar as partes estruturais que formam os aerossol individualmente, permitindo desvendar seus processos interativos. Nossos resultados sugerem uma expressiva produção de compostos da família ClO (incluindo o perclorato), resultado de processos fotoquímicos envolvendo o ozônio.  Uma provável explicação para tal abundância seria uma maior “atividade” fotoquímica sobre o snow pack induzindo maior produção de NO2, OH e O3 troposférico, o que acarretaria em uma maior formação de compostos de cloro.

 

 

 

 

 

 

Análise dos aerossóis no Criosfera 1 por STXM/NEX multicomponent mapping e EPMA. As setas indicam a presença de compostos da família ClO (a/c), a distribuição granulométrica das micropartículas dividas por sua estrutura química majoritária (b) e as análises de sal marinho (d/e) mostrando as alterações do sal marinho NaCl na atmosfera no Centro da Antártica.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(Acima) Imagens SEM de partículas coletadas no Criosfera 1. As setas azuis indicam as partículas de sal marinho, as setas magentas indicam mistura de sulfato com partículas de sal marinho (com contribuições menores do sal do mar), e as setas na cor vinho indicam outros tipos de partículas tais como poeira mineral. Abaixo, a distribuição de tamanhos de diferentes classes de partículas.